Frase da semana

Não temas; doravante serás pescador de homens. (Lc 5, 10)
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Quem merece o seu voto?

Esta pergunta é, sem dúvida, um grande desafio posto a cada cidadão às vésperas das eleições deste ano. Isso, porque esta resposta não deve ser construída, simplesmente, com a força e o discurso do mais sofisticado marketing pautado na propaganda eleitoral que incorporou aquele tom antigo – associando à imagem do candidato suas promessas ou referências ao que ele fez. 

No ar, de certo modo, está a dívida quanto à discussão de propostas mais consistentes e abrangentes como as exigências de reformas do Estado, tributária, política. É uma aberração apresentar-se ao eleitor e trabalhar o convencimento para que ele dê o seu voto por conta de promessas e mesmo das realizações passadas. Este discurso, na verdade, revela a lacuna na educação de um povo que pode se deixar convencer por argumentos emocionais e pelo tratamento de suas necessidades básicas como se fosse um atendimento benevolente gerando devedores e tendo no voto o pagamento ou retribuição. É lúcido pensar e defender que não basta adotar esquemas de proteção e de oferta de tudo aquilo que é direito do cidadão. É preocupante, no cenário da sociedade brasileira, o quanto o emocional vai presidindo o embate político, influenciando nas escolhas pela ausência da clareza que advinda da consciência dos que são destinatários e portadores de um qualificado processo educativo. A consciência sóciopolítica está intrinsecamente ligada ao nível de educação recebida e cultivada. Por isso mesmo, estas eleições revelarão o nível da cultura política existente no tecido da sociedade brasileira.

Ainda falta um longo caminho a percorrer, como fruto de processo educativo mais amplo e qualificado, para se compreender que a política, além da arte de transigir, é particularmente a arte de cuidar e garantir a justa ordem da sociedade e do Estado, seu dever central. Este entendimento acende um facho de luz na pergunta acerca de quem merece seu voto. É importante lembrar o Papa Bento XVI na sua Carta Encíclica Deus caritas est, 2005, quando diz que “a política é mais do que simples técnica para a definição de ordenamentos públicos: a sua origem e o seu objetivo estão precisamente na justiça, e esta é de natureza ética”. Ora, se a justiça é a origem e o objetivo da política e sua implementação é de natureza ética, conclui-se que ter ficha limpa é critério primeiro e fundamental para definir alguém como merecedor do seu voto.

A sociedade brasileira compreendeu e aderiu ao Projeto de Lei Ficha Limpa aprovado, um entendimento que não tem o menor sentido de ser adiado porquanto a moralização da política é uma das mais urgentes exigências e anseio da sociedade brasileira. Essa garantia de qualificação na candidatura se entrelaça com uma série de critérios importantes para que alguém seja merecedor de voto. Inquestionavelmente, torna-se merecedor do seu voto quem passa pelo crivo dos valores que possam permitir que o eleito respeite e lute pela democracia, priorize direitos sociais para configurar um novo cenário, particularmente, para os mais pobres, sem jamais perpetuar programas e benesses que os mantenha reféns de comodidades geradas e de preguiças que atrasam o passo na conquista da própria autonomia. O merecimento do seu voto, em qualquer cargo, Executivo ou  Legislativo, não pode ser uma decisão determinada pelo marketing político que amordaça consciências e não permite a configuração de critérios que assegure ao cidadão seu direito de escolher, não por obrigação a ser paga, mas na liberdade e autonomia que compõem a vivência autêntica da cidadania.

Na lista dos valores para configurar critérios que possam ser alavancas de juízos adequados na escolha, incluem-se o respeito à vida em todas as suas etapas, desde a fecundação até o declínio natural, o compromisso com a democracia, o respeito à liberdade de imprensa, o olhar e compreensão do pobre como sujeito e não como simples destinatário - incluindo a discussão sobre religião e a laicidade do Estado. 

Nessa direção os católicos precisam se posicionar mais clara e diretamente nas suas escolhas para usufruir do seu direito, por diálogo e intercâmbio, de contar com governantes e parlamentares capazes de pautar suas ações pelos valores do Evangelho e na fidelidade a princípios e valores, não simplesmente a interesses que possam abrir caminhos a negociações espúrias. Os católicos, no exercício de sua cidadania, como outros, todos, têm o desafio de fazer a diferença pela força de escolher quem merece seu voto. Este desafio e embate devem ser enfrentados com fé e coragem.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
, é Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte.
Belo Horizonte,  23 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dom Emilio Pignoli: A Igreja rejeita programas do PT que promovem o aborto


Em um recente vídeo Dom Emilio Pignoli, Bispo Emérito de Campo Limpo, em São Paulo, denunciou que “o PT realmente não tem compromisso com a vida  e com a familia, ao contrário, no 3º Congresso o PT assumiu a descriminalização do aborto e atendimento de todos os casos no serviço público como programa de Partido” e afirmou que esta plataforma, nós não podemos aprovar “como cristãos, em defesa da vida e da família”.

Dom Emílio afirma que por esta razão “associo-me a todos os meus colegas bispos, embora eu sendo emérito, mas tenho voz ativa, pois dentro da Igreja somos servos do Senhor, para que todos saibam que a Igreja não está de acordo com os programas do PT e que alerta para que se aproveitem agora os momentos importantes desta eleição que é uma encruzilhada em que nós precisamos nos manifestar a favor da vida e da família e defender aqueles que realmente assumiram o compromisso de defender estes valores imprescindíveis”.

Recordando que em Aparecida, no ano 2007, o Santo Padre deixou claro que a Família é o principal patrimônio da América Latina, e portanto “nós devemos defender este patrimônio contra todos aqueles que tramam contra a vida e a família”.

“O congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (o PNDH-3) em que está implícito claramente o desejo de descriminalizar o aborto e de permitir assim que ao final possam haver também casamentos de homossexuais, adoção de crianças por estas pessoas, portanto nós estaremos encaminhando o nosso Brasil para fazer aquilo que a Argentina infelizmente acabou aprovando por falta de uma declaração mais clara das forças católicas, se opondo a tudo aquilo que está minando os valores da família, do amor verdadeiro e da criança”, exclamou também o prelado.

“Então para que amanhã não tenhamos que chorar uma derrota, é a hora agora de dar um retorno votando naqueles que se comprometeram a defender a vida e a família”, asseverou.

Falando sobre a candidata do PT, Dilma Rousseff, o bispo afirma que ela vem crescendo nas pesquisas mas não sabe de qual forma: “as pesquisas não são tão confiáveis assim, porque eu mesmo já andei perguntando para muitas pessoas e ninguém foi pesquisado”.

“O que a gente sabe é que houve uma grande compra de votos”, especialmente no nordeste, afirmou Dom Emílio, quem também denunciou as reuniões do PT prévias à campanha prometendo “mundos e fundos” para prefeituras deste Estado, antecipando uma campanha de modo desonesto.

Há uma manipulação política perigosa neste momento”, afirma Dom Pignoli taxativamente.

O Bispo Emérito de Campo Limpo, termina seu discurso pedindo à Virgem de Aparecida e a Cristo Rei, “que nos defendam neste momento perigoso” e abençoe a todos os que estão se comprometendo a orientar as pessoas a buscarem os valores da família e da sociedade neste delicado momento.

O Vídeo de Dom Emílio pode ser visto no Canal Defesa da Vida, no Youtube:http://www.youtube.com/user/defesadavida